Estudar no Paraguai
Estudar medicina no Paraguai: documentos, residência e revalidação
É possível estudar medicina no Paraguai com residência pelo Mercosul e documentos apostilados, mas o diploma não vale automaticamente no Brasil: para exercer aqui é preciso passar pelo Revalida, do Inep. Antes de se matricular, verifique se o curso está habilitado pelo CONES e acreditado pela ANEAES.

Brasileiros podem estudar medicina no Paraguai sem visto, com residência pelo Acordo do Mercosul e documentos apostilados. Mas o diploma paraguaio não vale automaticamente no Brasil: para exercer a profissão aqui, o formado precisa ser aprovado no Revalida, exame coordenado pelo governo federal e aplicado pelo Inep, e ter o diploma revalidado por uma universidade brasileira. Por isso, a escolha do curso pesa mais do que a mudança de país.
O texto cobre a parte de documentos e residência, o modo de conferir se um curso é regular no Paraguai e o caminho de volta ao Brasil. Não indicamos universidades, não comparamos preços e não fazemos ranking: explicamos como avaliar. As fontes foram consultadas na revisão desta matéria.
Por que tantos brasileiros estudam medicina no Paraguai
Segundo reportagem do Diario HOY de 4 de março de 2025, que atribui os dados ao Conselho Nacional de Educação Superior (CONES), cerca de 35.000 dos 45.000 estudantes de medicina no Paraguai são brasileiros. Pelo mesmo levantamento, o departamento de Alto Paraná, onde fica Ciudad del Este, teria 15.000 estudantes de medicina, e o de Amambay, onde fica Pedro Juan Caballero, outros 10.000. São números de imprensa, que mudam, mas mostram que a região de fronteira concentra boa parte dessa procura.
Num mercado desse tamanho, a diferença entre um curso regular e um curso que só parece regular vira o ponto central da decisão, porque é ela que define se o diploma terá valor no Paraguai e se poderá ser revalidado no Brasil. Dá para conferir isso em fontes oficiais, antes de pagar qualquer matrícula.
Residência e documentos do estudante brasileiro
A DNM lista o Brasil entre os países do Mercosul que não requerem visto. Quem vai estudar fica no Paraguai por mais tempo do que a permanência transitória prevista na Ley 6984/2022, de até 90 dias corridos, prorrogáveis uma vez, e por isso pede a residência, em geral a temporária pelo Acordo do Mercosul, de dois anos. Os documentos e o passo a passo estão em como tirar a residência no Paraguai: identidade, certidão de nascimento apostilada, antecedentes criminais do Brasil e certificado de antecedentes para estrangeiros da Polícia Nacional, entre outros. Se o estudante tem menos de 18 anos, a DNM prevê regras próprias, com a assinatura dos pais ou a autorização notarial de quem não acompanha. Nas páginas de residência da DNM que consultamos, não há uma categoria separada de residência de estudante: o brasileiro que estuda segue essas vias gerais.
Na via da Lei 6984/2022, quem pede a residência temporal recebe uma residência precária enquanto o processo corre, e ela permite estudar. Ao fim da temporária do Mercosul, a permanente pede prova de solvência econômica, e a DNM inclui estudantes entre as categorias do anexo. O prazo de 90 dias antes do vencimento do carnet vale para quem estuda como para qualquer outra pessoa.
Há ainda uma regra de idioma. A Ley 7324/2024, promulgada em 9 de setembro de 2024, exige que estudantes estrangeiros cuja língua nativa não seja um idioma oficial do Paraguai comprovem competência oral e escrita no idioma oficial em que o curso é dado, por certificados de exames padronizados reconhecidos internacionalmente, além dos requisitos acadêmicos de cada instituição. A exigência não vale quando o curso é dado na língua nativa do estudante. O CONES é a autoridade de aplicação, e o Ministério da Educação e Ciências não registra o título de estudante estrangeiro sem essa comprovação no processo enviado pela instituição. Pergunte à universidade como a regra é aplicada e qual certificado ela aceita.
| Etapa | Quem pede ou decide | O que verificar |
|---|---|---|
| Residência | Dirección Nacional de Migraciones | Via (Mercosul ou Lei 6984/2022), documentos apostilados e vigentes, taxa vigente |
| Antecedentes | Autoridade brasileira e Polícia Nacional do Paraguai | Validade nacional no Brasil e certificado para estrangeiros no Paraguai |
| Documentos escolares | Universidade e Ministério da Educação e Ciências | Quais pedem apostila ou convalidação; peça a lista por escrito |
| Idioma | Universidade, sob a Ley 7324/2024 | Certificado aceito e prazo para apresentar |
| Habilitação e acreditação do curso | CONES e ANEAES | Resolução do CONES para a sede e situação na ANEAES |
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Quanto aos documentos escolares, não encontramos uma página oficial única que liste, para o brasileiro, a convalidação do ensino médio. Cada universidade e o Ministério da Educação e Ciências (MEC) indicam o que exigem, e a regra geral da DNM para documentos de origem estrangeira é a apostila. Brasil e Paraguai fazem parte da Convenção da Apostila, em vigor no Paraguai desde 30 de agosto de 2014 e no Brasil desde 14 de agosto de 2016, segundo a Conferência da Haia.
Como saber se o curso de medicina é regular: CONES e ANEAES
No Paraguai, duas conferências diferentes se somam. A primeira é a habilitação, feita pelo CONES. A Ley 4995/2013, de Educação Superior, diz que o CONES é o órgão responsável por propor e coordenar as políticas e os programas da educação superior (art. 7) e que a abertura de uma filial, de uma nova carreira ou de um programa de pós-graduação deve ser autorizada por ele (art. 32). A segunda é a acreditação, feita pela Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Educação Superior (ANEAES), que avalia e acredita a qualidade das instituições e das carreiras (art. 82).
A Ley 2072/2003, que criou a ANEAES, diz no art. 2 que a participação em avaliação externa e acreditação é voluntária, salvo para as carreiras de direito, medicina, odontologia, engenharia, arquitetura e engenharia agronômica. Ou seja, medicina está entre as carreiras em que a acreditação é obrigatória por lei. E a Ley 4995/2013 acrescenta que a acreditação é necessária para o reconhecimento oficial das carreiras reguladas pelo Estado.
Habilitada não quer dizer acreditada. Segundo o ABC Color, em 19 de maio de 2025, com base em informe da ANEAES, havia 43 carreiras de medicina habilitadas pelo CONES, oferecidas por 25 universidades, e só 22 tinham acreditação no Modelo Nacional de Avaliação da agência. Os números mudam, e por isso a conferência deve ser feita na fonte, no dia da decisão.
- Peça a resolução do CONES que autoriza a carreira e confirme que ela vale para a sede ou a filial onde você vai estudar, e não só para outra unidade da mesma universidade.
- Consulte a lista de carreiras de graduação acreditadas da ANEAES e veja a sede e a situação. Se a carreira está em processo, pergunte em que fase.
- Peça o plano de estudos e o local das práticas. Pergunte onde os estudantes fazem estágio, em quais hospitais e unidades, e quem supervisiona.
- Pergunte sobre o registro do título. Pela Ley 4995/2013, o reconhecimento oficial do título é dado pelo MEC mediante o registro (art. 73). Entenda quando e como a universidade encaminha esse registro.
- Peça tudo por escrito, com data, antes de assinar contrato ou pagar matrícula.
Há um motivo prático para esse cuidado. Para o Revalida, o Inep exige diploma expedido por instituição estrangeira reconhecida no país de origem. Um curso sem situação regular põe esse requisito em risco.
Sinais de alerta na hora de escolher
- Quem vende a vaga não mostra a resolução do CONES nem aceita que você a verifique na fonte.
- Pedem matrícula ou pagamento antes de entregar o contrato, o plano de estudos e a lista de documentos.
- Prometem aprovação no Revalida ou no CRM. Nenhuma instituição decide isso: o exame é do Inep.
- Não sabem dizer onde são as práticas hospitalares nem quem supervisiona os estudantes.
- A resposta à pergunta “a carreira está acreditada pela ANEAES?” vem vaga, sem a sede e a data.
Revalida: o que é e o que o Inep exige
O Revalida foi instituído pela Lei 13.959, de 18 de dezembro de 2019, para revalidar diplomas médicos expedidos por instituições de educação superior estrangeiras. O exame tem duas etapas, uma teórica e outra de habilidades clínicas, e é coordenado pela administração pública federal. O texto da lei já foi alterado, pela Lei 14.621/2023 e, segundo a versão publicada no Planalto, também por uma medida provisória de 2026, de modo que o formato e o calendário devem ser lidos sempre no edital vigente.
Segundo a página do Inep, podem participar brasileiros e estrangeiros em situação regular de residência no Brasil, com CPF, que tenham diploma médico expedido por instituição estrangeira reconhecida no país de origem, autenticado pela autoridade consular brasileira ou pelo processo de apostilamento da Haia. O candidato envia imagens do diploma, frente e verso, no sistema de inscrição.
Alguns números do Inep, com data, para dar ordem de grandeza. Na edição 2026/2, as inscrições da primeira etapa foram de 16 a 23 de junho de 2026, a taxa de inscrição foi de R$ 410 e a prova teórica foi marcada para 13 de setembro. Na edição 2026/1, a aprovação na primeira etapa exigiu no mínimo 59 dos 100 pontos. Cada edital define valores, datas e critérios, e eles mudam de uma edição para outra.
Depois da aprovação, o diploma é revalidado por uma universidade parceira, que publica edital próprio com os procedimentos administrativos, como mostra a página de legislação do Inep. Só então vem o registro no Conselho Regional de Medicina. Na página do CRM de Minas Gerais, atualizada em 13 de agosto de 2026, a primeira inscrição de médico formado no exterior pede o diploma previamente revalidado e registrado em universidade brasileira, certificado pela representação diplomática brasileira no país de emissão e acompanhado de tradução juramentada. A lista de documentos pode variar de um CRM para outro, então consulte o conselho do estado onde pretende atuar.
Por isso, vale guardar desde o primeiro ano cópias do histórico, dos programas das disciplinas e dos comprovantes de estágio, além da documentação de residência. O edital da universidade parceira define o que será pedido, e reunir tudo só no fim do curso pode atrasar o pedido. E o diploma precisa chegar ao Brasil com a apostila ou a autenticação consular que o Inep exige.
Linha do tempo: do Paraguai de volta ao Brasil
| Fase | O que acontece | Quem decide |
|---|---|---|
| Antes de se matricular | Conferir CONES e ANEAES, regra de idioma e lista de documentos | Você, com a universidade e as fontes oficiais |
| Chegada | Pedido de residência e comprovante de entrada | DNM |
| Durante o curso | Manter a residência regular e pedir a permanente nos 90 dias anteriores ao fim da temporária | DNM |
| Ao se formar | Título registrado no MEC e diploma com apostila ou autenticação consular | Universidade e MEC |
| No Brasil | Revalida, revalidação do diploma e inscrição no CRM | Inep, universidade parceira e CRM |
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Custos: por que não citamos preços de cursos
Preço de mensalidade é o dado que mais circula e o que menos ajuda sozinho. Para comparar, peça por escrito o custo total do curso inteiro, não só a mensalidade: matrícula, taxas de provas, material, moradia, apostilas, traduções e o certificado de idioma. Some também o que está fora da universidade. A taxa da DNM para a Residência Temporária Mercosul, por exemplo, é de Gs. 2.341.540 em dinheiro, vigente desde 1º de julho de 2026, e a inscrição do Revalida 2026/2 foi de R$ 410. Para a vida cotidiana, veja o texto sobre custo de vida no Paraguai.
Como a Paraguai Assessoria pode ajudar
O serviço de assessoria para estudantes dá apoio na documentação de estudante, com orientação acadêmica e documental, renovação, regularização e homologação. Cada demanda é analisada conforme o documento, a instituição e a finalidade. Para a residência, a equipe também atua no serviço de Residência no Paraguai.
O serviço trata da parte documental e migratória, e este conteúdo não indica nem avalia universidades. Também não há promessa de aprovação em processos, que dependem dos órgãos competentes. O escritório fica em Ciudad del Este, na Av. Rogelio Benítez, Barrio Boquerón, acima do Departamento de Imigração, e o atendimento é em português, presencial ou on-line. Quem ainda está no Brasil pode começar pelo WhatsApp ou on-line, contando onde pretende estudar e em que etapa está, e a equipe indica os próximos passos.
Fontes consultadas
- DNM: Residência Temporária Mercosul, consultado em 30/10/2026
- DNM: Residência Permanente Mercosul, consultado em 30/10/2026
- DNM: Aranceles migratórios (vigentes desde 01/07/2026), consultado em 30/10/2026
- BACN: Ley 6984/2022, De Migraciones, consultado em 30/10/2026
- BACN: Ley 4995/2013, De Educação Superior, consultado em 30/10/2026
- BACN: Ley 2072/2003, criação da ANEAES, consultado em 30/10/2026
- BACN: Ley 7324/2024, competência linguística de estudantes estrangeiros, consultado em 30/10/2026
- ANEAES: carreiras de graduação acreditadas, consultado em 30/10/2026
- Inep: Revalida, consultado em 30/10/2026
- Inep: edital da primeira etapa do Revalida 2026/2, consultado em 30/10/2026
- Inep: legislação do Revalida 2026, consultado em 30/10/2026
- Planalto: Lei 13.959/2019, Revalida, consultado em 30/10/2026
- CRM Virtual: primeira inscrição de médico formado no exterior (CRM-MG), consultado em 30/10/2026
- Conferência da Haia (HCCH): Convenção da Apostila, tabela de status, consultado em 30/10/2026
- Diario HOY: estudantes brasileiros de medicina no Paraguai (04/03/2025), consultado em 30/10/2026
- ABC Color: carreiras de medicina habilitadas e acreditadas (19/05/2025), consultado em 30/10/2026
Conteúdo informativo, revisado em 30 de outubro de 2026. Regras, taxas e prazos mudam: a aplicação a cada caso depende da análise da sua situação.


